Hoje passearei com cachorros no Ibirapuera pela primeira vez na vida. São os cães da Babi (Feroz e Luma). Brincaremos um pouco e, se tudo colaborar, assistiremos a uma apresentação do Joshua Redman.
Cachorros são um caso mal resolvido para mim. Aos quatro anos, comecei a dividir o quintal com a Petra, uma akita peludíssima, enorme e latidora. Na primeira casa em que convivemos, meu quarto tinha janela para um corredor. Não foram poucas as vezes em que, à noite, levantei e chamei Fabiana pedindo provas de que não havia nenhum estranho andando no quintal. Ela me mostrava, sempre, que os barulhos saíam dos passos e fungadas da Petra.
Fui morar em Marília. Petra foi junto. Lá, meu quarto ficou imune às suas caminhadas noturnas – embora eu não estivesse vacinado contra as histórias que me contavam sobre o passado daquela casa (se quiserem, depois escrevo sobre isso). Ela passava o dia na parte da frente do quintal. Os moleques vizinhos alvejavam-na com bombinhas, água, pedras e outras coisas. A rua era deserta, bairro residencial, um pouco universitário.
Sábado desses, pai lavando o carro, passa um dos ofensores, tranquilo, pimpão. Petra avista. Água rolando, mangueira indo e vindo em hipnótica limpeza. Petra espreita. Caminha suave, passa o portão. O alvo de costas, meu pai também. Desata a correr. Late e avisa a todos – inclusive ao inimigo – que o ataque começou. Ele corre bons metros, mas é alcançado. Petra rasga carne e roupas o quanto pode até chegar Fabiana com um rodo violento. Recua. Parece satisfeita quando passa zunindo para se abrigar na casinha – e fugir do rodo, claro.
Petra me vingou, de certa forma. Aquele menino me humilhava com frequência. Na época, pensei em quão legal seria se ela atacasse todos os meninos da rua que me davam apelidos e me excluíam das brincadeiras. Até hoje acho uma boa possibilidade.
Não sei o que se deu na vida dos moleques (digo “moleques” porque não me lembro de nenhuma menina que brincasse comigo naquela rua). Sei que Petra morreu quando eu já havia voltado para São Paulo. Recebi a notícia por telefone e não me recordo se chorei. Possivelmente. Os barulhos no quintal continuam me assustando, e agora tenho certeza de que não são suas patas.
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4 comentários:
quatro vira-latas e um festival de jazz.
póm póm póm póm..parompómpampóm..
Caio, não sei se te disse, mas desde fevereiro pude saber de novo o que é ter cachorro, já que há dezesseis anos tivemos um que era doente e eu nunca soube direito o que aconteceu no fim. Meu irmão adotou uma cadela e deu a ela o nome Picanha. Ironicamente, ela dorme no vão da churrasqueira no quintal hahaha. Eu não lembrava direito como era e nesses 4 meses, mesmo vendo ela tão pouco, posso afirmar que cachorro é amor haha. Ela já quebrou a lâmina de vidro da porta de madrugada e tivemos que correr pro veterinário 24 horas. E um cachorro correu atrás dela na rua e me senti o moleque da tua história. Espero o relato do passado da casa e as outras histórias de cães haha. Beijos
Haha, que legal! Picanha é um nome interessante.
Quando escrever mais sobre os bichos, posto. =)
Beijo!
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